Alexandre's profileA verdade nua e mal pass...PhotosBlogListsMore ![]() | Help |
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November 02 Astro do RockE olha aí... Meu sobrinho brincando com seu presente de 'Dia das Crianças'. Obviamente, ele não está tocando de verdade. E, também obviamente, o cinegrafista, ou seja, eu, não sabe filmar direito. Beijos e abraços, Xandão October 14 DevoluçãoDiziam que ele tinha a alma de botequeiro. Mas, um dia, o botequeiro, surgindo sabe-se lá de qual inferno, ou qual boteco, apareceu para cobrar. Sentou-se à mesa, com sua cara branca, olhos negros fixando o chão. Uma voz grave cobrou: devolve! Ele, sabendo do que se tratava, negou, simplesmente: não! Negativa que irritou o botequeiro. Os olhos agora eram vermelho-sangue. Com um bafo quente voltou a cobrar, mas fazendo uma concessão: devolve e eu te pago uma cachaça! Ele pensou bem no que era sua vida e aceitou. Tomou a cachaça, devolveu a alma ao botequeiro e virou um chato-esposo-exemplar. O botequeiro, por sua vez, prometeu, mais uma vez, não dar sua alma ao próximo amigo-pra-caralho das bebedeiras futuras. Xandão October 12 PatricinhaA cliente fiel tem uma revelação a fazer. Xandão Patricinha Patricia é clara, leve e descompromissada; Patricia também não complica; Patricia também não provoca dor de cabeça Patricia é meio famosinha e candidata a hype; Patricia é a melhor companhia para uma tarde ensolarada em Punta Del Este; Às vezes você encontra a Patricia aqui em São Paulo. Mas é melhor deixar pra bater papo lá na terra dela mesmo. Patrícia é aquela cerveja uruguaia, tipo pilsen. Muito parecida com as brazucas normais (um pouco mais suave). Você pode levar a Patricia para casa por R$ 12,00 (garrafa de 900 ml), no Varanda da Cidade Jardim. Naka September 07 A gota d'água‘Eu queria mesmo um torresmo’, disse, lamentando não poder matar a vontade. Por algum motivo, queria, naquele exato momento, comer um torresmo. ‘Eu sei senhor, mas não tem não’, respondeu o funcionário do boteco, mais uma vez. ‘Posso fazer um lanche pro senhor? Nosso lanche é muito bom...’, tentou. Mas ele não queria um lanche. Queria um torresmo. Indignou-se, em silêncio. Afinal, que mundo é este em que um homem honesto não pode nem comer um torresmo? Um suspiro e mais um gole em seu copo de cerveja foram as respostas para o rapaz. Depois de tudo, ainda não tinha torresmo no boteco para ele comer. Era o fim. ‘Eu queria mesmo um torresmo’, falou baixinho, com ele mesmo. E, tristemente, chorou. Xandão FreiE vamos nós. Mais um texto da cliente fiel. Abraços, Eu não gosto de padre, não gosto de madre, não gosto de frei. Mas realmente curto um monge. Antes que vocês me acusem de ser a nova protagonista de "Pássaros Feridos", já vou avisando que não é nada disso que vocês estão pensando. Alguns deles, principalmente os beneditinos, sacaram há muito tempo que essa coisa de vida contemplativa é coisa de maconheiro. E que o que pega é agradar paladares pagãos, tipo o meu. Em São Paulo eles se esmeram na produção de pães e tortas _ é só se jogar na lojinha da São Bento, depois da missa do canto gregoriano. Já na Alemanha (no pé do morro na Baviera), os rapazes da batina se ocupam mesmo com a produção de cerveja, e das boas. Semana passada fui apresentada a Weihenstephaner. Ela chegou estupidamente gelada, dentro de uma caneca de boca larga. De cara não gostei muito. Mas foi por culpa da temperatura estúpida da bebida. À medida que a cerveja ia "esquentando", um novo sabor aparecia. Provei a versão "tradition", de trigo e maltada, meio avermelhada e macia. E turva. Sim, bem turva. Afinal, estamos falando da casa cervejeira mais antiga do mundo, inaugurada no inacreditável ano de 1040! Acho que desde lá a geral não passa um sabão nos recipientes. Mas tudo bem, deve ser essa craca toda grudada na parede do tonel que dá toda a personalidade à bebida. Como tem grau alcoólico razoável (5,8%), dá pra tomar mais de uma, sem dramas. E o preço, por ser uma cerveja tão nobre, nem é tão proibitivo assim: R$ 9,90, no Empório Chiapetta. Naka August 25 Cliente fielA autora do blog da Naka é amiga deste e de outros botecos. E, espero, estará sempre presente por aqui. Assunto não falta para a garota. Então aproveitem este primeiro texto. Abraços, Xandão Essa bambeada do dólar pode ser meio assustadora para o mercado financeiro, mas ela possibilitou a chegada de ótimas cervejas aqui na terrinha. Sim, daquelas que você bebeu naquela sua viagem mochilão circa 1995 e nunca mais esqueceu, mas também nunca mais viu. Numa recente incursão por um desses empórios metidos, me abasteci de Weihenstephaner, Duvel, Erdinger, Patrícia e Original, de garrafa de 600 ml. Serão degustadas com calma e atenção, e prometo trazer o “review” em seguida. Sempre gostei de cerveja. Meu histórico começou aos 8 ou 9 anos, quando literalmente roubava os copos dos meus tios quando eles davam bobeira. Foi também a bebida que embalou meus namoricos de adolescência – eu me achava muito esperta indo até o balcão do boteco pra pedir uma. Nos tempos de faculdade a falta de grana e a voracidade nos empurravam para a “Xinca”. Foram porres históricos. Agora que sou uma jovem senhora, tenho estofo para preferir a qualidade à quantidade... Toda essa ligação com a cerveja fez de mim uma especialista? Não. No máximo eu consigo reconhecer a Antarctica (ou a Bohemia) do resto, que eu acho meio igual entre as nacionais. Ah, e chope ruim eu também detecto pelo cheiro... E nem bebo mais tanto assim (meu marido largou o hábito então quando estou em casa eu degusto sozinha), mas sempre associo cerveja a um bom papo e a uma boa companhia (os destilados servem para momentos deprê; os vinhos exigem atmosfera intimista). Também remetem a barulho e diversão. E espero que possamos nos divertir nessa curiosa volta ao mundo em 80 copos. Cheers! Naka P.S. – Ah, e jamais esperem que eu me refira à cerveja como “loira”, “morena” e “ruiva”. Cerveja é uma velha senhora e merece respeito, cambada! July 15 Sem fundoSaiu do boteco tropeçando. O chão insistia em fugir de seus pés. Em uma das mãos segurava uma blusa. Na outra, um pacote com um salgado, a última coisa que comprou, depois de tantas cervejas e outras bebidas. Andou apenas dois quarteirões. Sem forças, sentou-se em um degrau na entrada de uma loja fechada. Foi apagando, um sono monstruoso tomando conta de cada pedaço de seu corpo. Deitou-se e dormiu ali mesmo. Como um morador de rua. Não sabe quanto tempo depois, mas acordou com um barulho próximo e baixo. Abriu uma pequena fresta nos seus olhos e viu, sem ação, uma grande ratazana fugindo com seu salgado, até então intacto. Enquanto observava, conseguiu organizar um pensamento em sua mente diluída por tanto álcool. ‘É o fundo do poço...’. E parecia mesmo ser, mesmo para ele, com tantas histórias de bebedeiras e mais bebedeiras em diversos botecos da cidade. Dormir na rua já seria demais, se não fosse ainda pior. Roubado por uma ratazana. Mas havia mais. Nem bem terminou seu pensamento, viu o animal parar e olhar para trás. Não sabe como, mas pôde notar uma certa piedade naqueles pequenos olhos negros. Para sua surpresa, a ratazana voltou, devolveu o salgado e depois partiu, desaparecendo na rua escura. O poço não tinha fundo. Mentida e torrada por Xandão April 23 ElaEla apenas entrou e parou. Observou o interior do boteco. Depois caminhou até o balcão. Havia quatro bebuns e o proprietário. Havia cinco homens e nenhuma respiração. Demorou para qualquer um deles voltar ao normal após vê-la. Os cabelos negros e lisos fluíam como um rio. Havia brilho naquela total ausência de cor. Um buraco negro sugando todas as atenções. Cinco ou seis passos até apoiar-se no balcão. E, durante a caminhada, os cabelos balançaram numa coreografia perfeitamente ensaiada. Ela balançou o cabelo antes de falar. E o primeiro bebum perdeu a vida naquele instante. A partir dali seus dias seriam apenas de espera. A morte já podia chegar. Mentida e torrada por Xandão April 20 Minha lista...Domingo, sol e temperatura amenos. Você sai de carro pela cidade, com pouco trânsito pela frente. Liga o rádio. Que músicas gostaria de ouvir nesta situação? Listo aqui minhas cinco. Mas deixe seu palpite também, please. - 1979 – Smashing Pumpkings - Red Hill Mining Town – U2 - Just like heaven – The Cure - The great gig in the sky – Pink Floyd - Going to California – Led Zepelin Mentida e torrada por Xandão April 16 Dois golesDeocir era cliente fixo do boteco. Sempre com a cara séria, de poucas palavras entre seus copos de cerveja. Pouco se sabia dele. Nem mesmo uma simples opinião sobre a lateral-direita da seleção. Certa noite, após muito ouvir os colegas de balcão narrarem casos de assaltos, balas perdidas, brigas etc, Deocir soltou a voz e fez uma revelação. Não temia nada daquilo. Não seria surpreendido pela morte. ‘Só vou morrer com hora marcada’, anunciou. Após alguns segundos de silêncio, os outros bêbados riram, fizeram piadas e encheram Deocir de perguntas. Quem havia marcado, ele ou a morte? Ela tinha secretária? E se ele chegasse atrasado ao encontro? Ele, porém, não riu. Apenas sustentou que tinha um encontro previamente marcado. Nem quando sentiu-se mal na rua, com dores no peito, ficou com medo. Sabia que não seria sua vez. Naquela ocasião, uma morena providencial passou e, rebolando, fez o seu coração bater forte e ritmado. ‘Só com hora marcada’, repetiu. Muito tempo depois, quando a revelação já tinha caído no esquecimento, Deocir apareceu no bar bem vestido com sua roupa chique de armário. Passou pelo balcão, mas não ficou por ali. Pediu uma cerveja e dois copos na mesa de fundo do boteco. Havia pouca clientes aquela noite. Se alguém prestou atenção em Deocir, pode ter imaginado que esperava uma mulher, por isso as roupas de ocasião que vestia. Não se sabia nem se era casado ou não. Teria família? Tão logo recebeu a cerveja, Deocir, tranqüilamente, encheu os copos. Deu dois goles e caiu morto. Mentida e torrada por Xandão |
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